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domingo, 20 de setembro de 2015

Home is where your heart is




Home is where the heart is



Rain falls
Small drops running 
down the windshield
down your heart
Make you shiver
You close your eyes
and when you open them
you don't know
if the drops are 
from the rain
or from the tears.





Either way
remember
always remember:
even in the darkest hour
even if your tears are
far more than the rain drops
You´ve a place
You've a place
Waiting...
Where your heart is
Home...
where your heart is








Where you´ll be warm
and conforted
and loved

Where your heart is
Waiting...
Where your heart is
Home...

Look...
It rains no more
The sun is bright
Shining the gray waters
Amid the grizzly clouds



Look East
Where you´ll be warm
and conforted
and loved

Where your heart is
Waiting...
Where your heart is
Home...




sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

(Quase) Diário de um candidato a converso -4


Sente-se o calor do Sol, mas corre um vento fresco que, de vez em quando, provoca um ligeiro arrepio.
A baía de Cascais espraia-se perante mim. À minha esquerda estende-se Lisboa e as suas colinas. À minha direita a estrada para a Boca do Inferno.





Bancos de madeira, um quiosque, uma roda gigante. Os ramos das palmeiras agitam-se um pouco. Recordo Otis Redding, cantando "The Dock of the Bay" enquanto aguardo que as horas passem, para assistir ao acendimento da sétima vela do Hanukkah.

Enquanto espero, cruzam.se dezenas de pensamentos, dezenas de emoções. Recordo o encontro de ontem...pela primeira vez, em muitos, muitos, anos, senti-me "em casa", acolhido, quente, confortável. A conversa fluíu sem problemas, sem constragimentos, entre risos e lágrimas, hesitações e certezas, pensamentos e emoções, num amálgama indiscritível.
Saí do encontro mais forte, com mais certeza. Sinto que esta minha vontade é, também, a vontade d'Ele.
O caminho  vai ser longo, difícil, penoso, mas embora os pés fiquem cansados, doloridos, cheios de feridas, cada passo em frente será um passo de contentamento, maravilha e alegria.
Baruch Adonai Eloheinu!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

(Quase) diário de um candidato a converso -3



                                                            My heart is in the East

    My heart is in the east, and I in the uttermost west—
    How can I find savour in food? How shall it be sweet to me?
    How shall I render my vows and my bonds, while yet
    Zion lieth beneath the fetter of Edom, and I in Arab chains?
    A light thing would it seem to me to leave all the good things of Spain—
    Seeing how precious in mine eyes to behold the dust of the desolate sanctuary.

 Yehuda HaLevy, XIIth Century

                                                                       Translated by Nina Salaman      







                                                                                     





quarta-feira, 26 de novembro de 2014

(Quase) diário de um candidato a converso -2



Por Rabino Avraham Steinmetz
Publicado na BC News junho, 2014


(...)para os religiosos judaísmo não é uma nacionalidade, não se trata de tradição, também não é uma cultura, nem uma raça. Ser judeu é pertencer a uma família, faz parte do DNA espiritual, e simplesmente não há como produzir isso.

Lembro-me das palavras do Rebe sobre conversão. “Depois que uma pessoa se converte, devemos reconhecer que o que de fato houve não foi uma conversão. Não existe isso de conversão – a palavra conversão supõe uma mudança – e não ocorreu qualquer mudança com esse indivíduo.”

O Rebe continua a explicação da seguinte maneira: em hebraico há palavras e seus antônimos que invariavel- mente originam-se de raízes distintas. Por exemplo, um servo que se tornou livre é eved shenishtachrer, diferentes raízes para eved (servo) e nishtachrer (libertado). Ou como o Rebe disse, “um homem pobre que ficou rico” – “oni shenish’asher”: novamente duas raízes: oni (um homem pobre) e ashir (rico).

Mas quando se trata de conversão, sempre consta ger shenitgaier; as raízes são idênticas, o que significa um convertido que se converte em vez de goy shenitgayer (um gentio que se converte). Portanto, quando uma conversão se dá de acordo com a lei judaica, devemos entender que trata-se de uma alma que sempre foi judia. Nada foi convertido, nada mudou. Por razões conhecidas pelo Todo-Poderoso, essa alma esteve encarcerada na conjuntura de uma mãe não-judia, e esse é o seu teste, a sua missão. Como há uma centelha judaica dentro dela que busca ser judia, após sua conversão reconhecemos que ela sempre foi judia.

Segundo o Código de Leis do Judaísmo, somos exortados a honrar um convertido mais do que um indivíduo que nasceu judeu, pois sua alma passou por uma prova muito mais rigorosa. O Rebe afirmava que um candidato à conversão deveria ser encaminhado a um rabino versado nas leis de conversão, pois saberemos se aquela alma é de fato judia somente quando a conversão é feita de acordo com a lei judaica. Esse é o único mecanismo externo de que nós, mortais, dispomos para entender algo de natureza espiritual, se a alma é ou não judia, pois se a conversão não for “casher”, i.e. feita em conformidade com a lei – halachá, jamais saberemos. Não é justo para com o próprio “convertido”, pois nem mesmo ele saberá quem realmente é. (...)

Texto extraido de "A Crise da Conversão - Quem é o Vilão?" que pode ser lido, na íntegra em:

http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/2651533/jewish/A-Crise-da-Converso-Quem-o-Vilo.htm









quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Regresso



Subi ao convés.O frio cortante do vento Antártico forçou-me a apertar mais a parka e levantar o capuz. Encostei-me à amurada, não sem antes ter acendido o cachimbo, protegido do vento. O mar, cinzento, pouco encapelava. O navio avançava, suavemente, rasgando as águas à sua frente, deixando um rasto de espuma e vagas que se espalhavam em ondas cada vez mais pequenas e distantes.




 Ao longe, onde o céu se confundia como mar, surgiam os primeiros alvores da madrugada, em tons de laranja carmesim e dourado.
Uma gaivota, pousada no mastro, levantou a cabeça,lançou o seu lamento soluçante, quebrando o silêncio, e abrindo as asas levantou vôo, para mais um dia de luta pela sobrevivência, entre céu e mar, voando alto para se aquecer aos raios do sol nascente ou velozmente mergulhando na tentativa de pegar um peixe imprudente.


Os seus gritos ecoavam, pelo mar distante, levados pelo vento, num desafio à vida, num grito de conquista, num desalento de derrota, num crocito de resistência à adversidade.
Segui o seu vôo enquanto fumava o cachimbo, olhei para as muitas cores do mar e para o nascer do dia, escutei a gaivota, companheira de viagem e pensei: "é tempo de regressar a casa".


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

(Quase) diário de um candidato a converso -1



   "Frederico, o Grande:- Pode citar-me uma só prova da existência de Deus, que não tenha sido desmentida?
   Jean Baptiste de Boyer, Marquês de Argens:- Sim, Majestade: Os Judeus!"

         in  História do Povo Judeu, Werner Keller


                                






    "Num capítulo inteiramente dedicado à Estrela d'Alva, (Barros Basto) no livro Terras de Morte e de Fé, escreve:«Foi porque ela anunciou a Abraham os primeiros alvores da nossa fé, foi ela que inspirou Moisés nas suas cogitações, foi ela que encorajou Zenon na sua luta contra a fúria das vagas, foi ela que anmou Cleanto nos seus rudes trabalhos nocturnos, foi ela que inebriou Marco Aurélio nas suas meditações, e foi ela que nos sorriu sobre Emor.
     A mim próprio o Grande Espírito ma indicou. Era uma noite doce, linda como por vezes nos apresenta o belo céu da Península. Estava sentado junto a uma janela, que, de par em par, se abria sobre o jardim, lia um livro que velhos pensadores, de remotas eras, haviam escrito. Levemente fatigado, fechei o livro, pousei-o sobre os joelhos e contemplei a míriade tremeluzente, onde se destacava a bela estrela.
     Não sei quanto tempo a estive contemplando.
     Então a razão perguntou a mim mesmo porque fora ela a inspiradora dos filhos da Verdade?
     E automáticamente, como que obedecendo a uma força oculta, eu abri o livro e do texto se destacou o seguinte período:
     - Eu te estabeleci para ser a luz das nações, para levar a minha salvação até às extremidades da terra»
     (...)
     Outra força oculta, o estigma ancestral, impeliu-o definitivamente para o judaismo"


          in  Ben Rosh , Elvira de Azevedo Mea & Inácio Steinhardt.


                        
 Uma pequena pedra, por efeito da erosão, ou do vento, move-se um pouco. Apenas alguns centímetros...e acontece uma avalanche.
    Assim começa esta história, transformada em (quase) diário.
    Desde a infância que tenho conhecimento das minhas raízes judaicas e essa noção tem influenciado muitas decisões, escolhas e opções, tomadas ao longo da vida.
    Tenho dedicado algum tempo a estudar e analisar as várias correntes filosóficas, de Espinoza aos teosofistas, li Eliade, Guénon, Blavatsky, Stern.
    Percorri os Andes, com Kant debaixo do braço (na mochila, para ser exacto), enquanto olhava os Condores, companheiros de viagem.
    Naveguei os sete mares, com Platão e Aristóteles.
    Calcorreei os desertos de África, com Maimonides...
    Percorri os trilhos da Antropologia, da Sociologia, da História.
    Estudei a heurística e a hermenêutica, mas sempre me mantive afastado da "religião activa", sempre a encarei nas suas vertentes filosóficas, morais, éticas, sempre na sua vertente "intelectual", nunca na sua vertente "emocional".
    Mas os anos passam, a forma de pensar (mais importante: a forma de sentir) muda e o que era pequena luzinha, ao longe no céu, começa a aumentar, cada vez mais, até se transformar numa "Estrela d'Alva", como lhe chamou Ben-Rosh.
    E o apelo, tantas vezes fechado, o chamamento, tantas vezes abafado, torna-se mais forte, sempre mais forte. até se transformar numa torrente que já nenhum dique consegue parar.
    O primeiro passo foi dado!
    Os seguintes virão, a seu tempo.



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

41 years



Battle torn, worn and weak,
I stand in line to fight
The wolf is hungry for his meat,
Which I'll not be tonight.

My sword I raise above my head,
And sound my battle horn.
Odin if you hear me,
My allegiance has been sworn.

The strength of Thor is in me,
I'll not fall as prey.
With Tyr along to guide me,
I'll find victory this day!

My brothers lay before me,
In battle they've been beat.
They died like noble Norseman,
So in Valholl we will meet.

Battle torn, worn and weak,
This conflict has run long!
The wolf has had his fill of meat
The warriors will is strong

Hail the Einherier!
Hail those that have served.
Hail to the fallen!
All Hail those now falling.


Father: sail in fair winds and, when arriving to Ultima Thulé, you'll find peace in your heart.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Returning Home





"There is nothing like returning to a place that remains unchanged to find the ways in which you yourself have altered."

Nelson Mandela




O Memórias regressa a casa. Regressa por muitas razões, algumas, certamente, correctas, outras, talvez, nem por isso...a ideia já estava a ser pensada há algum tempo e a decisão foi - finalmente - tomada. Qual filho pródigo o "Memórias e Novidades" - em conjunto com o seu irmão "CT2KET Blog" - reinstala-se no Blogger. Por quanto tempo? Não sei. A vida é feita de mudança, mas, para já, em tempo de Outono, o retorno teria que ser atapetado a verde-escuro, dourado e bordeaux, com um mix de chuva e sol, vento fresco e algum calor. Tal como o sentido, por este pobre escriba, há muitos anos, em Shenandoah...




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Para Ti




      



                     As roseiras


  quando meus olhos abertos
  não puderem ver mais
  porque a centelha da vida
  não mais permanece

  não chores
 

  porque ausente
  cadente
  numa estrela
  presente

 
  não lamentes
 

  olha em torno
  procura a colina verde
  e a casa branca no topo
  com a cerca de madeira
  e cortinas de renda nas janelas

 
  não temas

  as roseiras estão secas
  descuidadas
  mas um toque
  das tuas mãos
  e desabrocham

  não chores
  não lamentes
  não temas

  a espera não é longa
  e a eternidade é um instante


                                                 01 Agosto 2012




sábado, 23 de abril de 2011

Passagem



Pesach, Páscoa, Easter

De origem Judaica, Cristã ou Pagã, todas elas celebram uma verdade: a "passagem".

Passagem libertadora, renovadora, da "escuridão da morte" para a "luz da vida".

Pesach












O cordeiro imolado pelos Judeus, que com o seu sangue marcam as ombreiras e o lintel das suas casas e o Senhor, na passagem, verá esse símbolo e não entrará. Os primogénitos Egípcios perecerão, para que outros recebam a dádiva da vida.

(O "Pi" -"Π"- transforma-se em "Tau" -"T"- que se irá completar no "Ankh" -"☥"-. Os três símbolos do eterno retorno, o nascimento, a vida e a morte que se repetem e se complementam, num movimento perpétuo, num símbolo da eternidade).


Páscoa

















O cordeiro Cristão, imolado para a libertação dos homens, que morre para dar vida. "Olhai, este é o Cordeiro de Deus, O que retira o pecado do mundo" nas palavras de João, o Baptista.

(A ombreira e o lintel "Π", o corpo físico, material "T", a ascensão espiritual "☥") 


Easter















A primavera, demonstração plena da vitalidade potencial, escondida nos meses frios do Inverno, renovada pela Luz,desabrochando em cores mil, plena de vida.Escuridão, sono,morte, despertar, luz, vida: o eterno retorno.
Deméter - Astarté - Ishtar - Easter.





Apenas uma nota final:

A Kabbalah explica que a alma é composta por dez pontos de "luz", de "energia", correspondentes aos dez fluxos de "Energia Divina", os Dez Sephiroth. Compete aos seres humanos destrinçar essa luz - essa energia - e decidir o que fazer com ela, escolher o caminho que pretende seguir, usar o seu livre arbítrio, como diriam os Martinistas, os Maçons ou os Rosa-Cruz. Apenas o ser humano pode optar pelo caminho da "vida" ou da "morte" espiritual.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Gaivota II




   
  "Como a página que anseia pela palavra"...


Assim deve ser o nosso pensamento, a nossa vontade, o nosso coração. Página em branco, ansiosa pela descoberta da escrita dos nossos sonhos e ideais, preparada para abrir as asas e voar, descobrindo a verdade que tardamos em perceber: a vida não se realiza no que nos rodeia,  realiza-se no que somos - e por curta que nos possa parecer, que seja vivida plenamente, seguindo as gaivotas, guias da sabedoria, arautos da liberdade por entre a solidão das ondas. Que o nosso vôo seja rápido e belo, sentindo o  vento nas asas, a canção do mar e a luz do sol aquecendo o coração...      

terça-feira, 1 de março de 2011

In Memoriam




Por vezes, somos visitados por um raio de luz.
Raramente, esse raio de luz fica connosco,por algum tempo.

A Gaby acompanhou-nos ao longo de 15 anos.

Mãozinha de veludo...

Pé leve...


15 anos de ternura, de amizade e de carinho; de risos, brincadeiras e algumas preocupações...

Mas os raios de luz nunca ficam por muito tempo.

Partem muito mais depressa do que queríamos e ficamos perdidos.

Sentimo-nos de regresso aos dias cinzentos porque nos falta a luz que nos aquece o coração e na nossa dor, não lembramos que a luz permanece, dentro de nós, sempre!

Que quando um raio de luz se afasta é porque irá iluminar
outros corações, outras vidas...

Pé leve...

Mãozinha de veludo...

Raio de Luz...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Versos de Amor e Revolta














                            


            A força indomável das palavras de Sophia de Mello Breyner.
            A voz incomparável de Francisco Fanhais.





    Porque

                      
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.