quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Histórias de Marinheiros
UN POEMA DE AMOR
No sé. Lo ignoro.
Desconozco todo el tiempo que anduve
sin encontrarla nuevamente.
¿Tal vez un siglo? Acaso.
Acaso un poco menos: noventa y nueve años.
¿O un mes? Pudiera ser. En cualquier forma,
un tiempo enorme, enorme, enorme.
Al fin, como una rosa súbita,
repentina campánula temblando,
la noticia.
Saber de pronto
que iba a verla otra vez, que la tendría
cerca, tangible, real, como en los sueños.
¡Qué explosión contenida!
¡Qué trueno sordo
rodándome en las venas,
estallando allá arriba
bajo mi sangre, en una
nocturna tempestad!
¿Y el hallazgo, en seguida? ¿Y la manera
de saludarnos, de manera
que nadie comprendiera
que ésa es nuestra propia manera?
Un roce apenas, un contacto eléctrico,
un apretón conspirativo, una mirada,
un palpitar del corazón
gritando, aullando con silenciosa voz.
Después
(ya lo sabéis desde los quince años)
ese aletear de las palabras presas,
palabras de ojos bajos,
penitenciales,
entre testigos enemigos.
Todavía
un amor de «lo amo»,
de «usted», de «bien quisiera,
pero es imposible»... De «no podemos,
no, piénselo usted mejor»...
Es un amor así,
es un amor de abismo en primavera,
cortés, cordial, feliz, fatal.
La despedida, luego,
genérica,,
en el turbión de los amigos.
Verla partir y amarla como nunca;
seguirla con los ojos,
y ya sin ojos seguir viéndola lejos,
allá lejos, y aun seguirla
más lejos todavía,
hecha de noche,
de mordedura, beso, insomnio,
veneno, éxtasis, convulsión,
suspiro, sangre, muerte...
Hecha
de esa sustancia conocida
con que amasamos una estrella.
Nicolás Guillén
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Uma folha em branco (no azul)
Uma folha em branco
Para ser preenchida
Não sei que escreva
Não sei que diga
Que dizer?
Dos mares navegados?
Que contar?
Das terras percorridas?
Do sol e do sal
dos risos, poucos
das lágrimas, muitas
do calor das areias
que queimam os pés
dos gelos que entorpecem
até te enroscares numa toca
e esperar pelo fim...
Brisas suaves
ventos cálidos
Tempestades terríveis
Ondas alterosas...
Onde?
Onde o calor que aquece o coração?
Onde a brisa que agita os cabelos?
Onde o mar que te adormece
no marulhar das ondinhas?
Onde?
Onde o farol que rasga
a escuridão?
Que te guia, protector, a bom porto?
Onde a luz que te ilumina o pensamento?
Que te tráz entendimento?
Onde as páginas
que não estão em branco?
Onde?
Sobes ao mastro mais alto
e que vez?
Águas cinzentas, agitadas
Céus plúmbeos, anunciadores de chuva
Ventos fortes que te agitam
E ameaçam fazer cair
Vagas enormes
Montanhas de água
Coroadas de espuma
Abatendo-se no convés
tonitruantes, terríveis
Onde?
Onde um pouco de terra
um baixio
um escolho
onde possas ancorar?
Não há!
E agarras-te ao mastro
com a força do desespero
procurando furar a escuridão
com a luz dos teus olhos
Mas os teus olhos
já perderam a luz...
Esmoreceu,lentamente
Desvaneceu, nos longos anos
Perdeu-se...
Anda, agora, nos gritos das gaivotas
Nas asas dos albatrozes
Pairando
num outro mar
num outro vento
Talvez mais azul
Talvez mais brando
E olhas, mais uma vez
Num olhar último.
Suavemente, numa carícia
sentes a madeira húmida
do mastro
E num suspiro abres as mãos...
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
(Quase) Diário de um candidato a converso -4
Sente-se o calor do Sol, mas corre um vento fresco que, de vez em quando, provoca um ligeiro arrepio.
A baía de Cascais espraia-se perante mim. À minha esquerda estende-se Lisboa e as suas colinas. À minha direita a estrada para a Boca do Inferno.
Bancos de madeira, um quiosque, uma roda gigante. Os ramos das palmeiras agitam-se um pouco. Recordo Otis Redding, cantando "The Dock of the Bay" enquanto aguardo que as horas passem, para assistir ao acendimento da sétima vela do Hanukkah.
Enquanto espero, cruzam.se dezenas de pensamentos, dezenas de emoções. Recordo o encontro de ontem...pela primeira vez, em muitos, muitos, anos, senti-me "em casa", acolhido, quente, confortável. A conversa fluíu sem problemas, sem constragimentos, entre risos e lágrimas, hesitações e certezas, pensamentos e emoções, num amálgama indiscritível.
Saí do encontro mais forte, com mais certeza. Sinto que esta minha vontade é, também, a vontade d'Ele.
O caminho vai ser longo, difícil, penoso, mas embora os pés fiquem cansados, doloridos, cheios de feridas, cada passo em frente será um passo de contentamento, maravilha e alegria.
Baruch Adonai Eloheinu!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Poemas de Amor e Revolta II
- TU RISA
- Quítame el pan si quieres,
- quítame el aire, pero
- no me quites tu risa.
- No me quites la rosa,
- la lanza que desgranas,
- el agua que de pronto
- estalla en tu alegría,
- la repentina ola
- de planta que te nace.
- Mi lucha es dura y vuelvo
- con los ojos cansados
- a veces de haber visto
- la tierra que no cambia,
- pero al entrar tu risa
- sube al cielo buscándome
- y abre para mí
- todas las puertas de la vida.
- Amor mío, en la hora
- más oscura desgrana
- tu risa, y si de pronto
- ves que mi sangre mancha
- las piedras de la calle,
- ríe, porque tu risa
- será para mis manos
- como una espada fresca.
- Junto al mar en otoño,
- tu risa debe alzar
- su cascada de espuma,
- y en primavera, amor,
- quiero tu risa como
- la flor que yo esperaba,
- la flor azul, la rosa
- de mi patria sonora.
- Ríete de la noche,
- del día, de la luna,
- ríete de las calles
- torcidas de la isla,
- ríete de este torpe
- muchacho que te quiere,
- pero cuando yo abro
- los ojos y los cierro,
- cuando mis pasos van,
- cuando vuelven mis pasos,
- niégame el pan, el aire,
- la luz, la primavera,
- pero tu risa nunca
- porque me moriría.
- Pablo Neruda
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Poemas de Amor e Revolta I
Soneto do amor e da morte
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
(Quase) diário de um candidato a converso -3
My heart is in the East
My heart is in the east, and I in the uttermost west—
How can I find savour in food? How shall it be sweet to me?
How shall I render my vows and my bonds, while yet
Zion lieth beneath the fetter of Edom, and I in Arab chains?
A light thing would it seem to me to leave all the good things of Spain—
Seeing how precious in mine eyes to behold the dust of the desolate sanctuary.
My heart is in the east, and I in the uttermost west—
How can I find savour in food? How shall it be sweet to me?
How shall I render my vows and my bonds, while yet
Zion lieth beneath the fetter of Edom, and I in Arab chains?
A light thing would it seem to me to leave all the good things of Spain—
Seeing how precious in mine eyes to behold the dust of the desolate sanctuary.
Yehuda HaLevy, XIIth Century
Translated by Nina Salaman
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
(Quase) diário de um candidato a converso -2
Por Rabino Avraham Steinmetz
Publicado na BC News junho, 2014
(...)para os religiosos judaísmo não é uma nacionalidade, não se trata de tradição, também não é uma cultura, nem uma raça. Ser judeu é pertencer a uma família, faz parte do DNA espiritual, e simplesmente não há como produzir isso.
Lembro-me das palavras do Rebe sobre conversão. “Depois que uma pessoa se converte, devemos reconhecer que o que de fato houve não foi uma conversão. Não existe isso de conversão – a palavra conversão supõe uma mudança – e não ocorreu qualquer mudança com esse indivíduo.”
O Rebe continua a explicação da seguinte maneira: em hebraico há palavras e seus antônimos que invariavel- mente originam-se de raízes distintas. Por exemplo, um servo que se tornou livre é eved shenishtachrer, diferentes raízes para eved (servo) e nishtachrer (libertado). Ou como o Rebe disse, “um homem pobre que ficou rico” – “oni shenish’asher”: novamente duas raízes: oni (um homem pobre) e ashir (rico).
Mas quando se trata de conversão, sempre consta ger shenitgaier; as raízes são idênticas, o que significa um convertido que se converte em vez de goy shenitgayer (um gentio que se converte). Portanto, quando uma conversão se dá de acordo com a lei judaica, devemos entender que trata-se de uma alma que sempre foi judia. Nada foi convertido, nada mudou. Por razões conhecidas pelo Todo-Poderoso, essa alma esteve encarcerada na conjuntura de uma mãe não-judia, e esse é o seu teste, a sua missão. Como há uma centelha judaica dentro dela que busca ser judia, após sua conversão reconhecemos que ela sempre foi judia.
Segundo o Código de Leis do Judaísmo, somos exortados a honrar um convertido mais do que um indivíduo que nasceu judeu, pois sua alma passou por uma prova muito mais rigorosa. O Rebe afirmava que um candidato à conversão deveria ser encaminhado a um rabino versado nas leis de conversão, pois saberemos se aquela alma é de fato judia somente quando a conversão é feita de acordo com a lei judaica. Esse é o único mecanismo externo de que nós, mortais, dispomos para entender algo de natureza espiritual, se a alma é ou não judia, pois se a conversão não for “casher”, i.e. feita em conformidade com a lei – halachá, jamais saberemos. Não é justo para com o próprio “convertido”, pois nem mesmo ele saberá quem realmente é. (...)
Texto extraido de "A Crise da Conversão - Quem é o Vilão?" que pode ser lido, na íntegra em:
http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/2651533/jewish/A-Crise-da-Converso-Quem-o-Vilo.htm
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