"Baruch Atah Adonai, Barucha At Shekhinah, Eloheinu Melech Ha-Olam; Baruch Atah YHVH/Elohim, Eloheinu Melech Ha-Olam - Shehechiyanu v'kimanu v'higiyanu laz'man hazeh. (Amein)" "Blessed are You,* Lord, and Blessed is Your Shekhinah, Ruler of Time and
Space; Praise to You,* Elohim, Sovereign of the Universe - Who has given us life,** and sustained us, and enabled us to reach this moment.*** (Amen)"
Neste mês de Dezembro de 2012, celebraremos 3 festividades:
O Hannukah, O Solstício do Inverno e o Natal.
Todas elas, embora diferentes na sua forma, na sua história e na sua perspectiva, possuem uma origem comum e celebram o mesmo facto: No momento mais sombrio da "nossa" história, quando nos imaginamos perdidos na escuridão, desesperados, rodeados de perigos aos quais não sabemos como escapar, surge um pequeno ponto luminoso, como uma vela - ou uma candeia de azeite - acesa numa noite sem lua, que tremeluz, débil e fraca,sob a inclemência da tempestade...mas essa luzinha a tudo resiste e cresce, aumenta em cada dia que passa, torna-se mais forte e mais potente, até que, um dia, a luzinha já não é mais uma luzinha, sim um alto farol, iluminando as águas revoltas em seu redor, guiando os perdidos até ao seu refúgio, acolhendo-os, com a ternura de uma Mãe, que acolhe o seu menino que caiu e esfolou os joelhos, mas indómito, não se deixando vencer pela crueldade, pela opressão ou pelo terror...
"O Come, all ye faithful" arr. David Willcocks King's College Cambridge 2009
O silencio apenas é cortado pelos "bips" das máquinas, a escuridão iluminada pelos traços verdes dos monitores que controlam os sinais vitais. Nos cuidados intensivos a noite, para quem não dorme, é lenta, pesada, sufocante. Nas trevas, diante de mim, vejo o monstro - todo ele ângulos, retorcidos,inomináveis. Confunde-se com o negrume de onde vem.
Rodopia, lentamente, observando,analisando, procurando o alvo mais débil...num ápice lança o assalto: as asas serrilhadas abrem-se e mergulha, como um relâmpago, mais escuro do que a escuridão, como se a sua escuridão não possa ser iluminada por nenhuma luz A calma monótona rasga-se, súbitamente. Os sinais vitais de um qualquer doente alteram-se. Surgidos não se sabe de onde, os enfermeiros acorrem, pressurosos, no auxílio. Uma luz dilacera a noite, e vozes abafadas informam os colegas do que se passa, do que fazer:"segura desse lado", "aos três", "um cateter", "o oxigenio já está...". Passam uns minutos - dois, cinco talvez. O doenta estabiliza. Assim como apareceram,desaparecem, não sem passar uma rápida vista de olhos por todos os monitores. Deitado na escuridão insone, sinto mais conforto, sinto-me mais seguro. O monstro continua ali, à minha frente, mas sei que os anjos da noite velam permanentemente e que não deixarão o monstro agarrar ninguém sem dar luta até ao fim...
As memórias de um internamento recente no Hospital Geral de Santo António, com passagem pela UCIC (Unidade de Cuidados Intensivos Coronários), ainda são demasiado intensas para ser descritas, mas aqui fica o público agradecimento a todo o pessoal daquele centro hospitalar. Todos, sem excepção, foram importantes para me salvar a vida e me dar suporte nos dias que se seguiram. Todas essas histórias aqui encontrarão espaço, à medida que for capaz de as contar... Não posso, no entanto, deixar de salientar, especialmente, os elementos do INEM que me estabilizaram in loco e me transportaram, prevenindo o hospital para que tudo estivesse "a postos" e o trabalho inexcedível dos enfermeiros, esses verdadeiros "anjos brancos" que surgem sempre, ao nosso lado,quando mais pensamos que estamos sós, na luta pela vida...