terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Dezembro 2012










Noël


Le ciel est noir, la terre est blanche ;
- Cloches, carillonnez gaîment ! -
Jésus est né ; - la Vierge penche
Sur lui son visage charmant.

Pas de courtines festonnées
Pour préserver l'enfant du froid ;
Rien que les toiles d'araignées
Qui pendent des poutres du toit.

Il tremble sur la paille fraîche,
Ce cher petit enfant Jésus,
Et pour l'échauffer dans sa crèche
L'âne et le boeuf soufflent dessus.

La neige au chaume coud ses franges,
Mais sur le toit s'ouvre le ciel
Et, tout en blanc, le choeur des anges
Chante aux bergers : « Noël ! Noël ! »


Théophile GAUTIER 
"Emaux et camées"



 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Dezembro 2012





   
Neste mês de Dezembro de 2012, celebraremos 3 festividades:

O Hannukah, O Solstício do Inverno e o Natal.

Todas elas, embora diferentes na sua forma, na sua história e na sua
perspectiva, possuem uma origem comum e celebram o mesmo facto:

No momento mais sombrio da "nossa" história, quando nos imaginamos perdidos
na escuridão, desesperados, rodeados de perigos aos quais não sabemos como
escapar, surge um pequeno ponto luminoso, como uma vela - ou uma candeia de
azeite - acesa numa noite sem lua, que tremeluz, débil e fraca,sob a
inclemência da tempestade...mas essa luzinha a tudo resiste e cresce, aumenta
em cada dia que passa, torna-se mais forte e mais potente, até que, um dia, a
luzinha já não é mais uma luzinha, sim um alto farol, iluminando as águas
revoltas em seu redor, guiando os perdidos até ao seu refúgio, acolhendo-os,
com a ternura de uma Mãe, que acolhe o seu menino que caiu e esfolou os
joelhos, mas indómito, não se deixando vencer pela crueldade, pela opressão
ou pelo terror...





 "O Come, all ye faithful" 
 arr. David Willcocks 
 King's College 
Cambridge 2009

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Hospital de Santo António




O silencio apenas é cortado pelos "bips" das máquinas, a escuridão iluminada pelos traços verdes dos monitores que controlam os sinais vitais. Nos cuidados intensivos a noite, para quem não dorme, é lenta, pesada, sufocante.
Nas trevas, diante de mim, vejo o monstro - todo ele ângulos, retorcidos,inomináveis. Confunde-se com o negrume de onde vem.


Rodopia, lentamente, observando,analisando, procurando o alvo mais débil...num ápice lança o assalto: as asas serrilhadas abrem-se e mergulha, como um relâmpago, mais escuro do que a escuridão, como se a sua escuridão não possa ser iluminada por nenhuma luz
A calma monótona rasga-se, súbitamente. Os sinais vitais de um qualquer doente alteram-se. Surgidos não se sabe de onde, os enfermeiros acorrem, pressurosos, no auxílio. Uma luz dilacera a noite, e vozes abafadas informam os colegas do que se passa, do que fazer:"segura desse lado", "aos três", "um cateter", "o oxigenio já está...".
Passam uns minutos - dois, cinco talvez.
O doenta estabiliza. Assim como apareceram,desaparecem, não sem passar uma rápida vista de olhos por todos os monitores.
Deitado na escuridão insone, sinto mais conforto, sinto-me mais seguro.
O monstro continua ali, à minha frente, mas sei que os anjos da noite velam permanentemente e que não deixarão o monstro agarrar ninguém sem dar luta até ao fim...




As memórias de um internamento recente no Hospital Geral de Santo António, com passagem pela UCIC (Unidade de Cuidados Intensivos Coronários), ainda são demasiado intensas para ser descritas, mas aqui fica o público agradecimento a todo o pessoal daquele centro hospitalar. Todos, sem excepção, foram importantes para me salvar a vida e me dar suporte nos dias que se seguiram.
Todas essas histórias aqui encontrarão espaço, à medida que for capaz de as contar...
Não posso, no entanto, deixar de salientar, especialmente, os elementos do INEM que me estabilizaram in loco e me transportaram, prevenindo o hospital para que tudo estivesse "a postos" e o trabalho inexcedível dos enfermeiros, esses verdadeiros "anjos brancos" que surgem sempre, ao nosso lado,quando mais pensamos que estamos sós, na luta pela vida...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Copista





  "O sol trespassou os vitrais, com tonalidades douradas e carmesim, criando turbilhões de cor sobre as suas mãos… aquelas mãos de dedos longos e finos, manchados pelas tintas, ligeiramente torcidos pelo uso constante da pena.
O copista desviou a atenção da iluminura que desenhava, laboriosamente. O olhar repousou, quase pela primeira vez, na mesa de trabalho, transformada pela luz dançante num pequeno mundo, multicolorido pelas gotas de tinta caídas - absorvidas pela madeira, amalgamadas com as lágrimas de emoção, que tantas vezes lhe corriam pelas faces, ao copiar antigos textos, vivendo aquelas histórias, sentindo as personagens que transcrevia…
 Levantou-se da mesa, com dificuldade, esticando as costas,doloridas pelas longas horas sentado e aproximou-se da janela, abrindo-a de par em par. O vento fresco da manhã entrou na sala, com força, trazendo o cheiro dos campos de alfazema, agitando-lhe os cabelos, arrepiando-o com a sua frescura, agitando o seu corpo e o seu espírito.
A encosta onde se inseria o mosteiro descia, íngreme, algumas centenas de metros, até se abrir num longo vale, dominado pelo lilás, roxo e púrpura da alfazema florida, entremeada por farrapos de outras cores, num arco-íris deslumbrante.
O vento, as cores, os aromas, eram um grito de vida, rompendo o silêncio monacal. Ali permaneceu, estático, os sentidos apurados, absorvendo as imagens, os sons, notando como as montanhas, ao longe, do outro lado do vale, subiam, altaneiras, contraforte sobre contraforte, em cores de azul-escuro, castanho terra,verde musgo e negro, com o sol matinal espreitando por cima, fazendo cerrar os olhos com a sua luz.
Ao fim de uma eternidade, o copista, ajoelhando-se, levantou os braços num gesto de invocação, clamando:` Senhor, como é grande a Tua glória!`"

 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Para Ti




      



                     As roseiras


  quando meus olhos abertos
  não puderem ver mais
  porque a centelha da vida
  não mais permanece

  não chores
 

  porque ausente
  cadente
  numa estrela
  presente

 
  não lamentes
 

  olha em torno
  procura a colina verde
  e a casa branca no topo
  com a cerca de madeira
  e cortinas de renda nas janelas

 
  não temas

  as roseiras estão secas
  descuidadas
  mas um toque
  das tuas mãos
  e desabrocham

  não chores
  não lamentes
  não temas

  a espera não é longa
  e a eternidade é um instante


                                                 01 Agosto 2012




domingo, 29 de julho de 2012

Tisha B'Av 2012




"(...)
19 Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel.

20 Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim.

21 Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei.

22 As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as

suas misericórdias não têm fim;

23 Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.

24 A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto esperarei nele.

25 Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca.

26 Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do SENHOR. 

(...)"

Lamentos de Jeremias, cap. 3







 Nove de Av. Destruição do Templo, em Jerusalém. Começa o exílio

na Babilónia.


      




 "(...) 
19 Remembering mine affliction and my misery, the wormwood and the gall.
20 My soul hath them still in remembrance, and is humbled in me. 
21 This I recall to my mind, therefore have I hope. 
22 It is of the LORD'S mercies that we are not consumed, because his compassions fail not. 
23 They are new every morning: great is thy faithfulness. 
24 The LORD is my portion, saith my soul; therefore will I hope in him. 
25 The LORD is good unto them that wait for him, to the soul that seeketh him. 
26 It is good that a man should both hope and quietly wait for the salvation of the LORD. 
 (...)" 

The Laments of Jeremiah, chap.3 
 The ninth of Av. Babylonians destroy the Temple, in Jerusalem. The 70 years exile starts.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O Falcão de Jade

  Os leitores mais atentos já se aperceberam que o "Memórias" é um espaço para a ciência mas, também, para o sonho (e não são os marinheiros sonhadores "diplomados"?).

  Quem fala em sonho fala em utopia e felizmente ainda há quem acredite e procure Amaurot, perdida no mar.

 Um exemplo:





 De si própria, diz-nos a autora:

"Reservada, contemplativa. Fui professora. Acho que quem o "é", de verdade, será para sempre professor. Ensinar é abrir espaços, mundos e os livros, a Arte, a beleza ajudam a aprender. Com os outros. Vou em frente sem olhar o passado, mas sem o esquecer. Acredito na Utopia, em todas as utopias..."

Sim. Procurar as utopias. Sempre. Mesmo que seja necessário subir as montanhas...