segunda-feira, 11 de junho de 2012
Midway
MIDWAY : trailer : a film by Chris Jordan from Midway on Vimeo.
Midway: um pequeno pedaço de terra, perdido no Oceano Pacífico. O nome recorda-nos, vagamente, uma batalha da II Guerra Mundial. Recorda-nos que aí se perderam muitas vidas. O que não sabemos é quantas outras vidas continuam a perder-se, estupidamente, pela ganância de poucos e pela indiferença de muitos.
"Midway" é um grito de alerta, uma mensagem de desespero, uma tentativa de dar voz aos que não sabem "falar".
Será que os conseguiremos escutar? Ou vamos continuar a fechar os olhos, a tapar os ouvidos, a virar a cara para o lado...afinal já temos tantos problemas...que nos importam "meia-dúzia" de pássaros mortos numa ilhota perdida não se sabe bem onde...
sábado, 9 de junho de 2012
Regresso
Desde Dezembro de 2011 apenas duas esporádicas "ondas" agitaram a água.
Dois pequeninos seixos, relembrando que a vida ainda existe, que não abandonamos a margem, que permanecemos atentos.
Espero que este "post" simbolize o regresso a uma actividade mais regular- que a luta pela sobrevivência do quotidiano e a luta (ainda mais urgente)pela vida - impediram.
As águas do rio não pararam, permaneceram no seu impassível movimento, mais lentas ou mais rápidas, mais ou menos agitadas, aquecidas pelo sol da manhã,arrefecidas pela frescura da tarde. Imutáveis.
Neste tempo, muito passou "ao lado" do "Memórias": descobertas científicas, inovações tecnológicas, conceitos sociais e filosóficos. Governantes foram substituídos, líderes políticos e económicos tombaram do seu pedestal e outros ocuparam os seus lugares, nasceram e morreram estrelas...
No entanto, o "Memórias" esteve afastado, mas não ausente...
Regressemos "em grande"...
Étude Revolutionnaire de Chopin, pelas mãos de Horowitz.
terça-feira, 1 de maio de 2012
1º de Maio 1974 - 2012
Já esquecemos o primeiro 1º de Maio?
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira/Fernando Lopes Graça
terça-feira, 24 de abril de 2012
Abril de Sim Abril de Não
Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.
Manuel Alegre
25 de Abril Sempre !!
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Dezembro 2011
O Natal é tempo de sonhos, de alegrias, da família.
É tempo de reunir à mesa e conversar. Tempo de distribuir as prendas, de brincar e rir.
É tempo de reunir à mesa e conversar. Tempo de distribuir as prendas, de brincar e rir.
Mas, quando todos já subiram para descansar, o Natal é - também - tempo de nos sentarmos à lareira e enquanto vemos as brasas a esmorecer, lembrar aqueles que já não estão connosco e de quem sentimos a falta. Recordar a sua ternura, o seu amor, a sua amizade. Tempo, igualmente, de (quando mais ninguém nos vê), deixar rolar as lágrimas que - tantas vezes - escondemos daqueles que nos rodeiam.
O Natal é o agridoce tempo de reencontro, com os outros e com nós mesmos.
Ring out, wild bells, to the wild sky,
The flying cloud, the frosty light;
The year is dying in the night;
Ring out, wild bells, and let him die.
Ring out the old, ring in the new,
Ring, happy bells, across the snow:
The year is going, let him go;
Ring out the false, ring in the true.
Ring out the grief that saps the mind,
For those that here we see no more,
Ring out the feud of rich and poor,
Ring in redress to all mankind.
Ring out a slowly dying cause,
And ancient forms of party strife;
Ring in the nobler modes of life,
With sweeter manners, purer laws.
Ring out the want, the care the sin,
The faithless coldness of the times;
Ring out, ring out my mournful rhymes,
But ring the fuller minstrel in.
Ring out false pride in place and blood,
The civic slander and the spite;
Ring in the love of truth and right,
Ring in the common love of good.
Ring out old shapes of foul disease,
Ring out the narrowing lust of gold;
Ring out the thousand wars of old,
Ring in the thousand years of peace.
Ring in the valiant man and free,
The larger heart, the kindlier hand;
Ring out the darkness of the land,
Ring in the Christ that is to be.
The flying cloud, the frosty light;
The year is dying in the night;
Ring out, wild bells, and let him die.
Ring out the old, ring in the new,
Ring, happy bells, across the snow:
The year is going, let him go;
Ring out the false, ring in the true.
Ring out the grief that saps the mind,
For those that here we see no more,
Ring out the feud of rich and poor,
Ring in redress to all mankind.
Ring out a slowly dying cause,
And ancient forms of party strife;
Ring in the nobler modes of life,
With sweeter manners, purer laws.
Ring out the want, the care the sin,
The faithless coldness of the times;
Ring out, ring out my mournful rhymes,
But ring the fuller minstrel in.
Ring out false pride in place and blood,
The civic slander and the spite;
Ring in the love of truth and right,
Ring in the common love of good.
Ring out old shapes of foul disease,
Ring out the narrowing lust of gold;
Ring out the thousand wars of old,
Ring in the thousand years of peace.
Ring in the valiant man and free,
The larger heart, the kindlier hand;
Ring out the darkness of the land,
Ring in the Christ that is to be.
Alfred, Lord Tennyson, Ring out, wild bells
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Kislev 5772

Feliz Hannukkah!
"Baruch Atah Adonai, Barucha At Shekhinah,
Eloheinu Melech Ha-Olam;
Baruch Atah YHVH/Elohim,
Eloheinu Melech Ha-Olam -
Shehechiyanu v'kimanu v'higiyanu laz'man hazeh.
Amen"
Eloheinu Melech Ha-Olam;
Baruch Atah YHVH/Elohim,
Eloheinu Melech Ha-Olam -
Shehechiyanu v'kimanu v'higiyanu laz'man hazeh.
Amen"
"Blessed are You, Lord, and Blessed is Your Shekhinah, Ruler of Time and Space;
Praise to You, Elohim,
Sovereign of the Universe -
Who has given us life, and sustained us,
and enabled us to reach this moment.
Praise to You, Elohim,
Sovereign of the Universe -
Who has given us life, and sustained us,
and enabled us to reach this moment.
Amen"
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Dezembro 2011
A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.
José Régio, Litania do Natal
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