terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio 1974 - 2012






                      Já esquecemos o primeiro 1º de Maio?
                                                

    
 

    Acordai
    acordai
    homens que dormis
    a embalar a dor
    dos silêncios vis
    vinde no clamor
    das almas viris
    arrancar a flor
    que dorme na raíz

    Acordai
    acordai
    raios e tufões
    que dormis no ar
    e nas multidões
    vinde incendiar
    de astros e canções
    as pedras do mar
    o mundo e os corações

    Acordai
    acendei
    de almas e de sóis
    este mar sem cais
    nem luz de faróis
    e acordai depois
    das lutas finais
    os nossos heróis
    que dormem nos covais
    Acordai!

    José Gomes Ferreira/Fernando Lopes Graça


     



  


terça-feira, 24 de abril de 2012


Abril de Sim Abril de Não

Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.

Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.

Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.

Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.


Manuel Alegre

  
   

25 de Abril Sempre !!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dezembro 2011


O Natal é tempo de sonhos, de alegrias, da família.
É tempo de reunir à mesa e conversar.  Tempo de distribuir as prendas, de brincar e rir.
Mas, quando todos já subiram para descansar, o Natal é - também - tempo de nos sentarmos à lareira e enquanto vemos as brasas a esmorecer, lembrar aqueles que já não estão connosco e de quem sentimos a falta. Recordar a sua ternura, o seu amor, a sua amizade. Tempo, igualmente, de (quando mais ninguém nos vê), deixar rolar as lágrimas que - tantas vezes - escondemos daqueles que nos rodeiam.
O Natal é o agridoce tempo de reencontro, com os outros e com nós mesmos.

 


Ring out, wild bells, to the wild sky,
The flying cloud, the frosty light;
The year is dying in the night;
Ring out, wild bells, and let him die.

Ring out the old, ring in the new,
Ring, happy bells, across the snow:
The year is going, let him go;
Ring out the false, ring in the true.

Ring out the grief that saps the mind,
For those that here we see no more,
Ring out the feud of rich and poor,
Ring in redress to all mankind.

Ring out a slowly dying cause,
And ancient forms of party strife;
Ring in the nobler modes of life,
With sweeter manners, purer laws.

Ring out the want, the care the sin,
The faithless coldness of the times;
Ring out, ring out my mournful rhymes,
But ring the fuller minstrel in.

Ring out false pride in place and blood,
The civic slander and the spite;
Ring in the love of truth and right,
Ring in the common love of good.

Ring out old shapes of foul disease,
Ring out the narrowing lust of gold;
Ring out the thousand wars of old,
Ring in the thousand years of peace.

Ring in the valiant man and free,
The larger heart, the kindlier hand;
Ring out the darkness of the land,
Ring in the Christ that is to be. 

 
  Alfred, Lord Tennyson, Ring out, wild bells 


terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Kislev 5772




                Feliz Hannukkah!







"Baruch Atah Adonai, Barucha At Shekhinah,
Eloheinu Melech Ha-Olam;
Baruch Atah YHVH/Elohim,
Eloheinu Melech Ha-Olam -
Shehechiyanu v'kimanu v'higiyanu laz'man hazeh.
Amen"





"Blessed are You, Lord, and Blessed is Your Shekhinah, Ruler of Time and Space;
Praise to You, Elohim,
Sovereign of the Universe -
Who has given us life, and sustained us,
and enabled us to reach this moment.
Amen"              


                          


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dezembro 2011





A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»

E assim, mais uma vez, Jesus nascia.

José Régio, Litania do Natal

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dezembro 2011


Natal

Hoje é dia de Natal.

O jornal fala dos pobres

Em letras grandes e pretas,

Traz versos e historietas

E desenhos bonitinhos,

E traz retratos também

Dois bodos, bodos e bodos,

Em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

Mas quando será de todos?

    Sidónio Muralha, Poesias

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dezembro 2011


Natal de quê? De quem?

Daqueles que o não têm?

Dos que não são cristãos?

Ou de quem traz às costas

As cinzas de milhões?

Natal de paz agora

Nesta terra de sangue?

Natal de liberdade

Num mundo de oprimidos?

Natal de uma justiça

Roubada sempre a todos?

Natal de ser-se igual

Em ser-se concebido,

Em de um ventre nascer-se,

Em por de amor sofrer-se,

Em de morte morrer-se,

E de ser-se esquecido?

Natal de caridade,

Quando a fome ainda mata?

Natal de qual esperança

Num mundo todo bombas?

Natal de honesta fé,

Com gente que é traição,

Vil ódio, mesquinhez,

E até Natal de amor?

Natal de quê? De quem?

Daqueles que o não têm?

Ou dos que olhando ao longe

Sonham de humana vida

Um mundo que não há?

Ou dos que se torturam

E torturados são

Na crença de que os homens

Devem estender-se a mão?


       Jorge de Sena, Natal de 1971