O Natal é tempo de sonhos, de alegrias, da família.
É tempo de reunir à mesa e conversar. Tempo de distribuir as prendas, de brincar e rir.
Mas, quando todos já subiram para descansar, o Natal é - também - tempo de nos sentarmos à lareira e enquanto vemos as brasas a esmorecer, lembrar aqueles que já não estão connosco e de quem sentimos a falta. Recordar a sua ternura, o seu amor, a sua amizade. Tempo, igualmente, de (quando mais ninguém nos vê), deixar rolar as lágrimas que - tantas vezes - escondemos daqueles que nos rodeiam.
O Natal é o agridoce tempo de reencontro, com os outros e com nós mesmos.
Ring out, wild bells, to the wild sky, The flying cloud, the frosty light; The year is dying in the night; Ring out, wild bells, and let him die.
Ring out the old, ring in the new, Ring, happy bells, across the snow: The year is going, let him go; Ring out the false, ring in the true.
Ring out the grief that saps the mind, For those that here we see no more, Ring out the feud of rich and poor, Ring in redress to all mankind.
Ring out a slowly dying cause, And ancient forms of party strife; Ring in the nobler modes of life, With sweeter manners, purer laws.
Ring out the want, the care the sin, The faithless coldness of the times; Ring out, ring out my mournful rhymes, But ring the fuller minstrel in.
Ring out false pride in place and blood, The civic slander and the spite; Ring in the love of truth and right, Ring in the common love of good.
Ring out old shapes of foul disease, Ring out the narrowing lust of gold; Ring out the thousand wars of old, Ring in the thousand years of peace.
Ring in the valiant man and free, The larger heart, the kindlier hand; Ring out the darkness of the land, Ring in the Christ that is to be.
"Blessed are You, Lord, and Blessed is Your Shekhinah, Ruler of Time and Space;
Praise to You, Elohim,
Sovereign of the Universe -
Who has given us life, and sustained us,
and enabled us to reach this moment.
A noite fora longa, escura, fria. Ai noites de Natal que dáveis luz, Que sombra dessa luz nos alumia? Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…» Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia, De joelhos me pus E as mãos erguia. Comigo repetia: «Meu Jesus…» Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz, Onde a vossa alegria? Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…» E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria, Sobre a terra caiu, como um capuz Que a engolia. Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
Hoje é dia de ser bom. É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, de falar e de ouvir com mavioso tom, de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem, de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal. É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, como se de anjos fosse, numa toada doce, de violas e banjos, Entoa gravemente um hino ao Criador. E mal se extinguem os clamores plangentes, a voz do locutor anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu e as vozes crescem num fervor patético. (Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu? Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante. Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito, como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena. Naquela véspera santa a sua comoção é tanta, tanta, tanta, que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho na noite incerta para ver se a aurora já está desperta. De manhãzinha, salta da cama, corre à cozinha mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza da matutina luz aguarda-o a surpresa do Menino Jesus.
Jesus o doce Jesus, o mesmo que nasceu na manjedoura, veio pôr no sapatinho do Pedrinho uma metralhadora.
Que alegria reinou naquela casa em todo o santo dia! O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, fuzilava tudo com devastadoras rajadas e obrigava as criadas a caírem no chão como se fossem mortas: Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está! E fazia-as erguer para de novo matá-las. E até mesmo a mamã e o sisudo papá fingiam que caíam crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal, Dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de Sonhos e Venturas. É dia de Natal. Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. Glória a Deus nas Alturas.