quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sem título





"Minha mãe, minha mãe!
Ai que saudade imensa
do tempo em que ajoelhava,
orando ao pé de ti.

Caía mansa a noite;
e andorinhas aos pares
Cruzavam-se, voando
em torno dos seus lares,
suspensos do beiral
da casa onde eu nasci.

Era a hora em que já sobre o feno das eiras
dormia quieto e manso o impávido lebreu.
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras,
e a lua branca, além, por entre as oliveiras,
como a alma dum justo, ia em triunfo ao Céu.

E, mãos postas, ao pé do altar do teu regaço
vendo a lua subir, muda, alumiando o espaço
eu balbuciava minha infantil oração,
pedindo ao Deus que está no azul do firmamento
que mandasse um alívio a cada sofrimento,
que mandasse uma estrela a cada escuridão."

Minha mãe

Guerra Junqueiro





Mãe:

Há menos andorinhas,não se escutam as ceifeiras e as oliveiras fenecem na intempérie do tempo.
Os anos passam mas não esqueço o teu riso fácil, as tuas lágrimas tristes, as tuas palavras quando me afastei de mochila às costas:"Meu filho,não vás...". Mas eu tinha que ir, Mãe. A ânsia de correr mundo,a vontade de navegar no mar imenso,de descobrir as minas de Salomão ou a ilha de Mompracem (lembras-te dos livros do Emílio Salgari, que me oferecias?). E corri mundo, Mãe, vagabundo dos mares, andarilho das montanhas. Gelei os pés na neve do Norte e queimei-os na areia do deserto, ao sabor do Austral vento tormentoso ou da cálida brisa do Levante. Mas sempre, Mãe, sempre lutando por um "alívio para cada sofrimento e uma estrela para cada escuridão".

Mãe:

Sei que estás longe de mim, mas estás sempre comigo e embora sinta - cada dia mais - a tua ausência, sei que alguém, algures neste mundo, levantando os olhos para o céu, encontrará uma estrela, mais brilhante que todas, portadora de luz e de esperança.

Feliz Aniversário, Mãe!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ailton Rocha

Palavra e Melodia





 Inscrição para minha Lápide


Se algum dia eu tiver uma,
peço aos amigos que inscrevam
palavras em minha lápide:
algum verso colhido de meu riso,
da dor ou da resignação. Não importa!
Mas quero o meu sorriso presente
na derradeira hora da benção
para que todos cantem comigo.

E se,
nos tempos a virem, nada tiver de meu
que compre uma lápide bela e vã,
e tiver que adormecer a cabeça
sob a sombra úmida de um canteiro,
peço-vos que guardem no coração
a minha mais pura lembrança.

E que o corpo seja húmus para a terra,
o meu coração seja vida para as flores,
e que o nome retorne ao que era:
palavra nas águas, brisa nas árvores.

Que todos os meus andrajos da vida
sejam devolvidos à mesma terra
de que foram feitos. Porque a alma,
esta eu devolvo pessoalmente

A Deus.

Ailton Rocha





       Poços de Caldas, no estado de Minas Gerais, Brasil, não se limita a apresentar-nos belas paisagens, a hospitalidade do seu povo ou a "Pedra do Balão". Por entre as muitas maravilhas surge a beleza das palavras de um dos mais interessantes poetas da língua Portuguesa contemporânea: Ailton Rocha.
       Do seu "Palavra e Melodia", que os leitores do "Memórias" poderão encontrar nos Sites Amigos, reproduzo uma "Inscrição". "Inscrição" para ler, reler, tornar a ler e meditar. Para pensar, analisar e - acima de tudo - sentir. Porque, essencialmente, a "Inscrição" deve ser lida com o coração. Não importa se está "bem escrita" ou se a "métrica" é perfeita (e tanto uma como outra se aproximam da perfeição...). O que verdadeiramente importa é o sentimento, a emoção e a sabedoria que nos transmite e se, para usar as palavras de Augusto Gil, " uma infinita tristeza, uma funda turbação, entra em mim, fica em mim presa", essa mesma tristeza entrelaça com algumas das mais belas palavras escritas neste dealbar do século XXI.





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Rosh Hashanah

   1º de Tishrei de 5772


   L'Shanah Tovah Umetukah!



   Vivemos o Yom Teru'ah, primeiro dia do Rosh Hashanah, o ano novo Judaico.
  
   Neste dia foram criados Adão e Eva, assim como também neste dia Noé libertou uma pomba, pela terceira e última vez, após o dilúvio.

   Neste dia praticamos o ritual do Tashlikh, meditando e rezando perto de um curso de água,para a qual atiramos os nossos pecados ("... e enviarás todos os seus pecados para as profundezas do mar...")






      Sim, que este novo ano seja um ano doce para todos os Judeus, desde a mais alta montanha até aos vales mais fundos. Que todos possam vislumbrar o reflexo da luz de Adonai!





    A B'rosh Hashanah canta a oração "U'Netaneh Tokef", que foi recitada pelo Rabbi Amnon, de Mainz, nos seus últimos momentos de vida.





Tizku leshanim rabbot!

domingo, 25 de setembro de 2011

Outono



             Terminam as colheitas: celebramos o
Mea'n Fo'mhair,  a generosidade da Terra. Festejamos os últimos dias quentes enquanto
preparamos a terra para as novas sementeiras.

         Ao fim do dia regressamos por um caminho atapetado a verde esmeralda  e castanho dourado. Sentimos os pés cansados e no rosto a brisa fresca, prenúncio do frio agreste que se aproxima, mas o fumo na chaminé dá-nos força para acelerar o passo. 
         Ao entrar sentimos o calor da lareira, o cheiro do pão, o aroma da sopa acabada de fazer...estamos em casa.





quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Regresso





Caminho na neblina de chuva que cai suavemente, prenúncio do Outono que se aproxima.
Sente-se o cheiro a terra molhada e o perfume dos castanheiros.
O pensamento perde-se nas lágrimas derramadas do céu,liberta-s e vislumbra outra estrada... 
perdida no tempo, entre rosas selvagens e relva verde, subindo, subindo,subindo... 
para Tintagel, escutando o troar das ondas e o canto das gaivotas...


"(...)
This is a sacred place,
for those who leave,
leave better than they came.

But those who stay, while they are here,
add, with their sleepless nights and tears,
pale sprigs of ivy to the walls
of these hallowed halls."



terça-feira, 10 de maio de 2011

Yom Ha'atzmaut


                  Por favor escutem atentamente a gravação de uma transmissão da BBC, em ondas curtas, de uma gravação efectuada em Bergen-Belsen, em 20 Abril de 1945.


                 Please listen carefully  recording made by a BBC reporter, in Bergen-Belsen on April 20th, 1945 and later recorded from a shortwave transmission.

                 " They wanted the world to hear their voice"

 



May Israel live for everlasting times!

domingo, 8 de maio de 2011

Yom HaZikaron


            










“Invictus”

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

 by William Henley


         






"Aqui estou e aqui ficarei,enquanto puder levantar a minha Bandeira e defender a minha Pátria.E quando, finalmente,eu cair, que outro empunhe a Bandeira e não permita que toque no chão!"