terça-feira, 19 de outubro de 2010

"Austrálias"


Quem és tu velha carcaça

Que me apareces ao espelho?

Segues-me por pirraça,

Ou estou mesmo a ficar velho?



Lembro-me de mim,

Como um jovem a correr,

Pelas Austrálias (1) sem fim,

Onde tanto consegui aprender.



Por vezes com sal num saco,

Para um pepino temperar,

Depois de o lavar no regato,

Transforma-se em belo manjar.



Pelos campos que passava,

Só tinha de cuidar,

Que nada estragava,

Mas uma fruta podia tirar.



Depois vinha a perdição,

Ó paixão desvairada,

O futebol, minha maldição,

Que deixava minha mãe desesperada.



Por isso não reconheço

Esse que vejo ao espelho,

Será alguém com quem pareço?

Ou sou eu que estou a ficar velho?



(1) : Austrálias – Conjunto arborícola do tipo acácia da Austrália ou acácia negra que se localizava por trás de nossa casa em Gondomar (Nota do Autor)

Um jovem corre pelo bosque, com os olhos abertos pelas maravilhas que observa, atentamente, ou até, apenas, pelas imagens fugazes que correm perante si, entrevistas mas sempre misteriosas... Felizmente que jovens, como Alexandre Cardoso, crescem e se transformam em adultos que não perdem a capacidade de se maravilhar, seja perante a Hagia Sophia, na distante Istambul, seja perante as acácias em Gondomar, que "olham para trás" e conseguem - ainda - sentir a magia e vislumbrar um Fauno, correndo por entre as árvores...
De novo, no "Memórias" a presença de Alexandre Cardoso, poeta de corpo inteiro e que tenho a honra de considerar como irmão do coração.
Feliz Aniversário Alex. Que a felicidade te persiga por toda a tua vida!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Victória en San José

20 minutos y 700 metros una eternidad de espacio y tiempo.

Pero el coraje y la perseverancia gana todo!
La oscuridad de la mina no puede eliminar la luz brillante de la amistad iluminando la negrura bajo la tierra.
A 700 - setecientos - metros de profundidad, los hombres dijeron:"No nos damos por vencidos! La vida nos espera arriba,muy lejos de las manos y muy cerca del corazón y por ella lucharemos hasta la victoria!".


Y los dias se hacen semanas y las semanas se hacen meses pero el valor se mantuvo:

"No nos damos por vencidos!".





20 minutos y 700 metros una eternidad de espacio y tiempo.

Pero, cuando Florencio llegó arriba, el primero de los primeros,
miró a su alrededor y respiró el aire fresco del desierto, las lagrimas hace mucho tiempo atrapadas, todas las lloradas y todas las que hay para llorar,se liberaron de los ojos de todos y caieron nel suelo del Atacama, y donde las lagrimas caen los íris florecerán mas fuertes y más bellos, para siempre!

PS - Pido perdón à los lectores de idioma Castellano, por todos los errores ortográficos, pero esta es mi homenaje a los mineros de San José.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Centenário da República



"Lisboa amanheceu...ao som do troar da
artilharia. Proclamada por importantes
forças do exército...e auxiliada pelo
concurso popular, a República tem hoje
o seu primeiro dia de História"

5 de Outubro de 1910


Procurei longamente por uma versão de "A Portuguesa" que transmitisse o sentido Patriótico dos Portugueses.
Essa procura, surpreendentemente, terminou com os "Lobos" (Selecção Nacional de Rugby) a cantar o Hino Nacional.
Esse foi - é - um momento de exaltação patriótica empolgante, pela força e pela paixão demonstrada.
Feliz o País que tanto amor desperta.
Mas, infeliz o País que apenas em eventos desportivos consegue despertar nos seus cidadãos o orgulho de ser Português.
Infeliz o País que leva os seus cidadãos a demitirem-se do seu papel interventivo na sociedade, pelo cansaço extremo da vida, iludida e ilusória, que os sucessivos líderes provocaram.
Basta!
Portugal precisa, urgentemente, de renovar a sua força, a sua valentia, a sua vontade.
Peçam sacrifícios aos Portugueses, mas façam-no com honestidade e com coragem!
Chega de subterfúgios!
Os cidadãos deste País serão capazes de responder "Presente!", perante as adversidades e os problemas quando sentirem que podem confiar em quem os lidera.
Portugal só será UM quando conseguir que os seus cidadãos sintam vontade de gritar, bem alto: "Eu sou Português!", em todas os momentos e em todas as horas, quando sentirem no coração a força dos seus antepassados que clama por uma Nação "Valente e Imortal".
Quando a paixão que exaltam num estádio desportivo estiver presente na fábrica, na esquadra, na aldeia,na junta de freguesia.
Quando cada Português se sentir - e for efectivamente - cidadão de pleno direito.
Quando não existirem Portugueses de "primeira" e de "segunda" mas sim Portugueses, de corpo inteiro, de alma lavada e de coração aberto.

Possa hoje, 5 de Outubro de 2010, centenário da implantação da República, ser a faísca que
inflame o novo rastilho da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade entre os Portugueses.

Viva a República !

Viva Portugal!

República !





quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Outono 2010


O Sol ilumina fracamente a madrugada, por entre nuvens cor de cinza. Da minha varanda espraio os olhos pela rua de sempre, as casas e edifícios de sempre. O pequeno jardim, com dois bancos, onde idosos passam algum tempo, durante o dia e alguns casais jovens namoram, à noite, permanecem imutáveis. Mas, a primeira alvorada do Outono traz consigo uma brisa fresca, que agita suavemente as folhas caídas, espalhando um tapete em tons de vermelho, castanho e ouro, brilhantes com as gotas de orvalho, reflectindo a aurora, criando minúsculos arco-íris que iluminam o dia e aquecem o nosso coração...aquele movimento rápido que apercebemos, mesmo no instante em que saímos da varanda, de retorno ao aconchego, seria uma folha a esvoaçar? Ou um fauno, vislumbrado num breve momento de magia?
De novo, a beleza triste e nostálgica (mas pode a beleza existir sem nostalgia?) de Erik Satie a acompanhar esta mensagem.

sábado, 11 de setembro de 2010

September, 11th

Liberty will prevail !



Em 2009 escrevia o "Memórias e Novidades":

"11 de Setembro é,também,a recordação de um Povo,que não se rendeu à destruição e ao medo,a recordação dos sobreviventes,dos bombeiros,dos polícias,de todos os que se entre ajudaram e se apoiaram aos ombros uns dos outros, companheiros na luta pela salvação.
11 de Setembro é a história do Homem Comum,que,colocado perante a opção última,escolhe não se vergar ao medo e à dor,transfigurando-se no herói anónimo que auxilia o próximo,no momento do perigo iminente.
11 de Setembro é a história da vitória do Homem Comum."

Hoje, 11 de Setembro de 2010, recordamos, em especial, os Bombeiros e os Polícias caídos em 2001, que ofereceram o seu bem mais precioso, a vida, em troca da vida de todos aqueles que salvaram.




343 Bombeiros

72 Polícias

1 K-9







Todos permanecerão vivos na memória individual e colectiva. Todos, de uma forma ou de outra, estão amalgamados com as pedras, os escombros, o asfalto e o vidro. Todos se tornaram parte da cidade.
Ao passar pelo Ground Zero recordem que os vossos pés pisam terra regada com sangue e lágrimas. Lágrimas de desespero e de derrota, mas, também, lágrimas de esperança, de fé inquebrantável e de vitória!!