quarta-feira, 17 de março de 2010

Estados de Alma


Da nossa varanda, ao entardecer, apreciamos a beleza das cores, o seu contraste, sentimos a brisa suave que nos refresca a pele, ao fim de um quente dia de verão...Calma e tranquilidade...mas, quantas vezes, reparamos como as núvens se torcem, numa curva doentia, como os tons de azul e laranja escurecem, até ao índigo e ao negro, como um grito de angústia que quer sair do peito e borbulha, em golfadas, pela nossa garganta,mas que acorrentamoss cá dentro, que controlamos, que mantemos preso, perdendo mais um pouco da nossa vida, cauterizando, a fogo lento, mais uma ferida no nosso coração.
Assim são os nossos estados de alma, as "Sobreposições", como lhes chamou o mestre Jorge Peixinho: melódicas mas dissonantes, harmoniosas mas com arestas, suaves mas ríspidas...

terça-feira, 16 de março de 2010

"If"


Rudyard Kipling é - seguramente - mais conhecido pelo seu "Livro da Selva" do que pela sua faceta de poeta. Mas, hoje, pretendo despertar o interesse por essa vertente, na obra de Kipling e, penso que o célebre "If" será um bom começo. Apresento a versão original, em Inglês, com versão em português de minha autoria ( com antecipado pedido de desculpa pelos erros...):
"If"

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;

If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!
Se
Se confiares em ti próprio quando os outros homens duvidem de ti
Mas lhes perdoares a sua desconfiança.
Se conseguires esperar sem perder a esperança,
Ou quando te mentirem não mentires,
Ou quando te odiarem, não devolveres o ódio,
Mas sem tentar parecer "santo", nem "sábio";
Se conseguires sonhar, mas não permitires que os sonhos te governem,
Se conseguires pensar, mas não tornares os pensamentos em teu senhor;
Se conseguires encarar o Triunfo e a Derrota
E tratar esses dois impostores da mesma forma;
Se conseguires escutar a verdade que disseres
Distorcida para enganar os simples,
Ou ver as ideias pelas quais deste a tua vida, partidas
E tentares renová-las com ferramentas gastas;

Se conseguires fazer um monte de todos os teus ganhos,
E arriscar tudo numa cartada,
E perder, e recomeçar novamente,
Sem suspirar pelo que perdeste;

Se conseguires comandar o coração e os nervos e os músculos,
Para se manterem a funcionar para além do limite,
Sem nada que os mantenha,
A não ser a tua vontade, que lhes grita:"Aguenta!"

Se conseguires falar para as multidões e manter a tua virtude
Ou passear com Reis - sendo sempre um homem comum.
Se nem os teus inimigos nem os teus queridos te puderem magoar
Se todos os homens contarem, para ti, mas não demasiado,
Se conseguires preencher um minuto
Com valorosos sessenta segundos,
Tua será a Terra e tudo o que nela existe
Mas, ainda mais importante meu filho,
Serás um Homem!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tormenta na Ilha da Madeira



A terra arrastada pelas águas, as pedras caídas, as estradas destruídas...o povo da Madeira,chora os seus filhos, perdidos na voragem da tempestade,mas, com a coragem e a tenacidade, que são seu apanágio, reergue-se dos escombros, procurando os desaparecidos, tratando dos seus feridos, planeando a reconstrução.



A bela Ilha da Madeira retomará todo o seu brilho, todo o seu encanto, fulgindo, de novo, como uma preciosa jóia, no meio do Atlântico e ao anoitecer, o suave luar virá deslizar pelas suas encostas, iluminar as suas ribeiras e espraiar-se pela baía do Funchal, iluminando as suas águas, num abraço terno,feito de beleza e de magia.









quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Quando fala o coração...

Só escrevo porque lembrei,
De criar um poema,
O porquê eu não sei,
Muito menos qual o tema.

Foi de repente que apareceu,
Esta vontade inabalável,
Não é a dança do creu,
Nem nada assinalável.

São só umas linhas, podes crer,
Mas vão fazer passar,
Esta vontade de escrever,
Que me estava a enervar.

Não sei mais o que faça,
Muito menos o que diga,
Mas a vontade não passa,
Nem a escrever, ó minha amiga.

Talvez um dia alguém entenda,
Esta alma desvairada,
Que escreve sem emenda,
Ou escrita estilizada.

Mas vou finalmente acabar,
Com esta minha escrita,
Pois a vontade esta a passar,
De escrever para ti cara bonita.

Alexandre Cardoso





Habitualmente, dizemos que a "arte" está nas mãos do escultor, na voz do cantor, na tela pintada com cuidado,na escrita esmerada do "mestre"...e é, sem dúvida, verdade, mas, mais do que nas maõs, nos pincéis, na voz da soprano, a "arte" está no coração.
Um texto pode ser belíssimo, uma canção pode ser de encantar, mas só o serão, realmente, se exprimirem o sentimento genuíno, que brota do interior de nós, numa necessidade, incontrolável, de exprimir a ternura, "que sai pelos poros da pele".
Poucos, muito poucos, conseguem juntar o sentimento à capacidade de o transmitir, para o exterior.
Alexandre Cardoso é uma dessas raras pessoas.
No momento está longe, mas, onde estiver, o seu pensamento e o seu sentimento estarão com aqueles que ama e esse sentimento atravessa o mar, velozmente, nas asas de uma gaivota, trazendo notícias do coração.
Um abraço fraterno Alex!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Para o João

Não olhes para trás...
O caminho já percorrido foi longo e eu sei que os teus pés estão cansados, mas, agora que mais de meia viagem está feita, não é hora de parar, a não ser para um curto descanso.
Recordo quando, pela primeira vez, me falaste na Ponte Bifrost, a Ponte do Arco-Íris,e de como ela interliga a Terra do Meio a Asgard. Na memória permanecem as histórias, as lendas, os mitos( a verdade?).
Não olhes para baixo, porque a ponte é estreita e não se podem dar passos em falso.
Olha em frente e para cima. Heimdall espera-te, para te acolher, de braços abertos e te apertar num abraço, como um irmão ansioso pela tua chegada. A mesma vontade deste irmão que não te pode abraçar, a não ser com o pensamento.
Permanece forte, caminha com passos firmes, porque a Grande Porta do Reino dos Deuses já está próxima!
Não olhes para trás...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ha'Tiqva





Em 8 de Março de 1944, mais de 3800 Judeus, de orígem Checa, ao aperceberem-se de que vão ser exterminados na cãmara de gás, decidem-se pelo derradeiro acto de desafio, de coragem, de resistência ao opressor, cantando "Ha'Tikva"...
Sobreviveram 37.



Ha'Tiqva

" Enquanto no coração de um Judeu,
A sua alma ansiar,
Ao olhar para leste,
Para a terra de Sião,
A esperança não estará perdida.
A esperança de dois mil anos,
De sermos um povo livre,
Na nossa terra,
A terra de Sião e de Jerusalém"

27 de Janeiro de 1945

LIBERDADE !!!!





Em 27 de Janeiro de 1945, as tropas Soviéticas ocupam Auschwitz e Birkenau
libertando os prisioneiros que ainda restavam, pouco mais de 7000.
Dez dias antes, 60000 prisioneiros foram retirados, em marcha forçada, na direcção de Bergen-Belsen a, aproximadamente, 800 km de distância. Apenas 20000 chegaram ao destino. Mais 40000, a juntar ao milhão e meio que já tinham sido assassinados.
A terrível história de Auschwitz, em polaco Oswiecim, prolongou-se por pouco mais de quatro anos. Se alguma vez o inferno, como exemplo de crueldade premeditada, se instalou à superfície da terra, foi ali, nessa pacífica vilazinha rural, da Polónia, nesses quatro anos.




O extermínio em massa, dos Judeus, é conhecido, mas, para muitos deles, morrer nas câmaras de gás, terá sido uma morte “misericordiosa”, se comparada com as múltiplas formas de execução e tortura a que foram sujeitos:





Será possível imaginar o uso dado aos ganchos cravados nos postes?

Terão as pessoas noção de como os nazis eram metódicos no extermínio?




Um só exemplo: devido às cremações serem demasiado rápidas, e os fornos não terem capacidade de cremar, devidamente, os cadáveres, os prisioneiros designados para o efeito tinham que acabar de quebrar os ossos que restassem, com o objectivo de usar a mistura resultante como fertilizante, nos terrenos agrícolas, em redor do campo…



Em meados dos anos 90, escritas em várias línguas, foram colocadas algumas placas, no local, com a seguinte inscrição:

“Para sempre possa este lugar ser um grito de desespero e um aviso para a humanidade, onde os nazis assassinaram um milhão e meio de homens, mulheres e crianças, principalmente judeus, de vários países da Europa. Auschwitz - Birkenau 1940-1945"