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quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Muezzin

A água agitava-se, suavemente, contra as pedras do cais. A mistura de aromas das especiarias, das cargas mal acondicionadas, dos esgotos a céu aberto, perto dali, da maresia sentida na brisa, era forte, inebriante. Sentia o cérebro semi-entorpecido pela noite passada em claro,pelo som hipnótico da música e entontecedor movimento das danças, pela bebida ingerida... estava parado, a pouca distancia do cais, escutando o arrulhar das pombas, que acordavam para um novo dia, enquanto os primeiros raios de sol apareciam no horizonte. Uma mulher passou, movimentos apressados, provavelmente uma trabalhora nocturna, de regresso ao seu quarto. Nesse exacto momento uma voz se levantou no silencio, rasgando o amanhecer com um canto límpido, chamando os crentes à oração matinal, acompanhando a alvorada com os seus versos. Essa voz derramando-se pela ruas da cidade, quebrando o arrulhar das pombas, agitando corações, manifestando a sua fé, clamando a sua crença, espalhando-se pela agitação matinal, carregando séculos de história consigo... uma memória viva, um vislumbre do passado, escutado ao alvorecer, em Alexandria...

terça-feira, 31 de março de 2009

Ofra Haza


Depois de alguns dias afastado retorno ao convívio deste blog

com um pequeno vídeo de uma das mais prestigiadas cantoras

Israelitas: Ofra Haza!

Para além da beleza intrínseca das canções existe a beleza da

da sua voz.Para recordar,sempre...

segunda-feira, 23 de março de 2009

O cão

Passava na rua encaminhando-me para o restaurante onde costumava almoçar
no intervalo do trabalho.Um cão que gania baixinho despertou-me a atenção e
procurei o animal.Jazia na rua,todo torcido,em parte desfeito,por algum automóvel
que passara.As pessoas que passavam mostravam uma indiferença absoluta pelo
sucedido,como se a morte violenta de um ser vivo fosse indiferente.
Entrei no restaurante e pedi ao proprietário para me vender uma toalha de mesa
destas aos quadrados,típicas dos restaurantes e,voltando ao local,embrulhei o
cão o melhor que pude e peguei-o ao colo.O animal gemeu baixinho,lambeu-me
as mãos enchendo-as de sangue e morreu.Procurei um terreno vazio que sabia
existir nas traseiras do edifício e depositei o animal junto a um arbusto.
Nesse dia não consegui almoçar,menos pelo facto de o pobre animal morrer
assim,mais pelo facto de as pessoas( seres humanos ? )serem completamente
indiferentes ao sofrimento,que não o próprio.Que raio de sociedade é esta?